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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

EJA - Mais reflexões

O texto de Brandão é emocionate e faz-nos refletir mais um pouco sobre a forma como se deve conduzir a EJA.
(um homem de pouco estudo, falando com outro possuidor de mais estudo)
"A educação que chega pro senhor é a sua, da sua gente, é pros usos do seu mundo. Agora, a minha educação é a sua. Ela tem o saber de sua gente e ela serve pra que mundo?" (Brandão, 1984)
Penso que se pegasse uma turma de EJA antes da interdisciplina deste semestre, correria um grande risco de dar aos alunos a "minha educação", como diz o texto. Não por preconceito, mas por pura falta de conhecimento.
O texto de Brandão nos faz refletir sobre a função da EJA. Se “o primeiro traço cultural relevante para esses jovens e adultos, [é] sua condição de excluídos da escola regular.” (Oliveira, 1999). Temos que refletir muito sobre o que vamos ensinar e como iremos fazê-lo, caso contrário estaremos correndo o risco de esvaziar o propósito da educação e produzirmos na mente deles o tipo de questionamento que o autor relata em seu texto: "esta educação serve para que mundo?"

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Carlos R. A questão política da educação popular. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1984. p. 7-10.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, Set./Out./Nove./Dez. 1999, n. 12, p. 59-73.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

EJA - O que ensinar? Como ensinar?

Durante este semestre pude aprender um pouco mais sobre a EJA. Posso dizer que eu era completamente leiga no assunto - sempre trabalhei com crianças. O contato mais próximo que tive foi através dos relatos do meu mearido, que concluiu seus estudos através desta modalidade.
Desta forma não fazia a menor idéia de como conduzir uma classe de EJA. Já havia lido Paulo Freire, mas para mim tudo parecia muito ideológico, e não conseguia enxergar como funcionaria esta educação emancipadora na prática. Neste sentido as leituras foram fundamentais para mim. Dentre as leituras do semestre, destaco o texto de Hara Regina - Alfabetização para adultos: ainda um desafio - onde a autora fala justamente sobre a aplicação do "Método Paulo Freire"

“Normalmente levados por uma leitura mecânica do chamado Método Paulo Freire educadores de adultos têm aceitado o desafio simplista de, escolhidas determinadas palavras ligadas à realidade do educando, desenvolver processos de discussão e ou aprendizagem que impliquem simplesmente na decodificação de tais palavras e na sua silabação visando à construção de novas palavras. Tais movimentos, além de se tornarem mecânicos (como se o processo de alfabetização fosse um caminho linear de incorporação de novas sílabas ao universo de aprendizagem do educando), acabam não considerando a experiência acumulada por este educando e suas hipóteses a respeito de como tal processo de escolarização se realiza” (Hara, 1992)

Hara propõe que os adultos em fase de alfabetização, assim como as crianças, devem ter a oportunidade de formular suas hipóteses sobre a construção da escrita (retomamos aqui as aprendizagens a respeito de Ferreiro e Teberosky), levando em consideração os interesses e necessidades da faixa etária.

“‘Frases simples’ só com sílabas conhecidas não são necessariamente mais fáceis de ler se pensarmos na motivação que as pessoas tem para extrair algo de significativo do escrito. Manchetes de jornais com fatos importantes do momento são bastante dasafiadoras e fazem convergir muitas informações a respeito da Língua escrita” (Hara, 1992)


REFERÊNCIAS

HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992