Mostrando postagens com marcador 2009/02; Linguagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2009/02; Linguagem. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Portadores de texto

Embora eu não alfabetize, achei sensacionais as considerações de Betolila e Soares a respeito da importancia dos diferentes tipos de texto. É logico que já sabia sobre a importância de proporcionar às crianças o contato com textos ricos e significativos. Entretanto achava que isto bastava. As autoras ressaltam a importância de oferecer também os textos simples

“A descoberta do princípio alfabético demanda a manipulação de segmentos curtos e cuidadosamente escolhidos para permitir que o aluno perceba as unidades distintivas na fala e na escrita. A tomada de consciência da diversidade de textos e suas finalidades demanda, ao contrário, textos ricos, autênticos e socialmente significativos” (Betolila; Soares, 2007)

Desta forma é possível contemplar alfabetização e letramento, sem esvaziar o significado de um ou de outro.

Leitura na educação infantil

A leitura sim, já havia pensado na educação infantil, entretanto a leitura mais livre, onde damos um livro para a criança para que ela leia (geralmente baseada nas figuras). Embora seja esta também uma atividade de letramento (pois auxilia as crianças a entrarem em contato com a leitura de histórias), as possibilidades da leitura na educação infantil não se encerram por aí.
Cuquerella, em seus relatos de aula com crianças entre 4 e 5 anos relatou uma experiência de leitura que achei fantástica pois, assim como ela, nunca tinha cogitado esta possibilidade.
Em uma de suas aulas estavam fazendo um texto coletivo (uma carta para uma amiga), as crianças ditavam e ela escrevia, depois lia para ouvirem a construção do texto que tinham criado. Ana Teberosky, ao assistir a aula, sugeriu que ela deixasse as crianças "lerem". Para a sua surpresa elas lembravam com detalhes o que tinham ditado e conseguiram ler a carta. A atividade segundo a autora, auxilia as crianças na construção de suas hipóteses sobre a escrita, uma vez que proporciona verificarem a correspondencia entre o que ditaram e o que está escrito.

“As possibilidades de realizar atividades concretas e os conhecimentos que as crianças têm são geralmente superiores às nossas previsões. Dado que o papel da escola é ampliar e servir-se dos conhecimentos que as crianças já têm, torna-se evidente que devemos viver todas as situações e usar todos os recursos que nos são apresentados, e não descartá-los jamais por condicionantes como idade” (Cuquerella, 1990)


REFERÊNCIAS

CUQUERELLA, Marta. Documentos de classe. In: TEBEROSKY, Ana. CARDOSO, Beatriz (org.) Reflexões sobre o ensino da leitura e da escrita. São Paulo: Ed. Trajetória Cultural, 1990. p. 65-100


Produção textual na educação infantil

Nunca tinha pensado a produção textual na educação infantil por um fato que para mim parecia obvio: as crianças não sabem escrever. Entretanto, nas leituras do semestre pude ver que, nesta etapa podemos sim trabalhar a produção textual, mas na oralidade.
Construir um texto oral é diferente de simplesmente falar porque exige planejamento. Este planejamento, uma vez dominado na oralidade, servirá como ferramenta valiosa na construção dos textos escritos mais tarde, quando a criança estiver nesta etapa.

Letramento: escrita x oralidade

Achei muito interessante a forma como Kleiman fala sobre a questão da oralidade e da escrita. Ao colocar oralidade e escrita não apenas como recursos, mas como forma de pensar, o conceito de letramento adquire outra importância.
Kleiman defende que, para os grupos não letrados (que não utilizam-se culturalmente da escrita ou que não o fazem por não saber escrever) a oralidade é uma forma de pensamento. Eles pensam com a lógica da oralidade, enquanto o grupo letrado pensa com a lógica da escrita. De acordo com Kleiman

"uma diferença maior entre os dois modos de pensar retoma a tese da abstração, pois nos grupos orais predominaria o pensamento situacional e operacional, que para Ong é minimamente abstrato (ou seja, é abstrato ape­nas na medida em que toda conceitualização é de fato abstrata) enquanto que os grupos que dominam a escrita utili­zariam uma lógica abstrata, livre de considerações contex­tuais na realização de diversas operações cognitivas." (Kleiman, 2006)

Desta forma, não ser letrado não implica apenas em não compartilhar da função social da escrita, mas estar aquém das expectativas cognitivas do grupo que domina a escrita.


REFERÊNCIAS


KLEIMAN, Angela B. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. In: KLEIMAN, Angela. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2006. p. 15-61

Alfabetização na escola... letramento?

Já tinha ouvido falar anteriormente em alfabetização e letramento em outra interdisciplina em semestres anteriores, entretanto adquiri novas aprendizagens quanto a esta questão. Um dos textos trabalhados na disciplina de Linguagem e Educação durante o semestre falava do letramento que a criança adquiria na família. Chamou-me a atenção a diferenciação que a autora fez entre o tipo de letramento adquirido na família em cada classe social: enquanto nas classes mais altas (onde os pais tem curso superior) as perguntas sobre as histórias são bastante exploradas, na classe média elas restringem-se a aspectos mais concretos. Não são feitas por exemplo relações entre eventos da realidade e histórias infantis (como: "Olha o que a fada madrinha trouxe hoje!" fazendo uma relação com um texto escrito, o conto de fadas). Segundo Kleiman "o adulto reconta de maneira simplificada as estórias dos livros, in­troduz informações discretas sobre a escrita, como nomes das letras, números, cores, e nomes de objetos familiares através de perguntas. A criança responde, "lê" o material aos adultos, memoriza trechos. Não há, no entanto, pergun­tas ou explicações analógicas que relacionem as semelhan­ças e diferenças existentes entre as figuras bidimensionais e os objetos reais, não havendo, assim, uma transferência da compreensão da escrita, das atividades realizadas e das habilidades desenvolvidas durante o evento de letramento para outros contextos."(Kleiman,2006)
A autora relaciona estas diferentes interações, os diferentes níveis de letramento proporcionados em casa com o sucesso ou fracasso escolar, afirmando que a escola não cumpre o seu papel de "letrar" as crianças cujo oportunidade não foi concedida em casa.
A respeito disso, passamos a ver a importância que possui um trabalho de letramento na escola.