sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Final de jornada? Apenas de uma etapa dela...

Ao final desta etapa posso olhar para trás e ver o quanto cresci, aprendi, amadureci. Amadureci como estudante, como pessoa, como profissional.
Analisar o blog/portfólio foi maravilhoso pois me deu a noção exata desta caminhada. Ao longo das postagens é possível ver cada passo, cada aprendizagem. Interessante poder ver que ao longo desta jornada muitas das aprendizagens se apoiavam em outras tidas em momentos anteriores no curso. Esta "constatação" pode parecer clichê. Todos sabemos que aprendizagens embasam outras, que o conhecimento vai sendo construído desta forma. Entretanto, penso que poder VER este crescimento, dar-se conta dele na própria trajetória, permite-nos superar o que Vigotsky chama de "comportamento fossilizado". Quando a aprendizagem se torna real, quando o aprendido é por nós incorporado de tal forma que nos parece natural, perde-se a noção de que foi uma aprendizagem e parece que sempre pensamos daquela forma, esquecemo-nos de como pensávamos antes.
Ao mesmo tempo a atividade do blog me permite pensar a avaliação de nossos alunos, pois o blog dá conta exatamente desta nova forma de avaliar - não fazendo "prova", testando se os alunos sabem reproduzir o conhecimento passado, mas olhando para as aprendizagens, olhando para o que antes eu sabia e para o que agora eu sei.
Não estou a dizer que dever-se-ia adotar uma forma de avaliação igual para nossos alunos - "A partir de agora todos devem fazer blog de aprendizagens!" - não é isto... Mas a atividade permitiu ver que é possível encontrar caminhos para o que para muitos ainda é utópico. A partir desta vivência tenho certeza de que todas nós do PEAD incorporamos um pouco disto em nossa prática, ou no mínimo em nosso olhar para o aluno - um olhar investigativo e não um olhar que mensura o conhecimento adquirido.

Reflexões Semestre 9

No último semestre do curso tive o privilégio de poder fazer meu TCC em algo que sempre esteve muito presente em minhas vivências, inclusive no período de estágio. As relações entre professoras e auxiliares (uma realidade de sala de aula completamente do ensino fundamental, cuja maioria das formações para professores não contempla). Já havia observado nos anos de trabalho que tenho na educação infantil que as auxiliares (na rede em que trabalho) ficavam sempre mais envolvidas com as questões de cuidado (higiene e alimentação) e as professoras com "a parte pedagógica". Desvendar esta trama de relações e perceber o por quê destas práticas foi muito significativo, pois aliando estas problematizações a leitura me deparei com coisas que nunca havia imaginado.
Além disto, estudar Foucault quase que de forma independente (pois a compreensão dos conceitos do autor eram indispensáveis para a pesquisa se quisesse utilizá-lo como referencial) me fez ver o quanto a educação a distância me deu independência. O aprendizado durante o curso (de encontrar na internet fontes confiáveis, saber selecioná-las, ir em busca da informação) foi essencial para que isto se concretizasse.
Terminei o semestre com algumas respostas e novas perguntas - felizmente, pois continuar estudando faz parte dos meus planos.

Reflexões Semestre 8

A aprendizagem que regeu o semestre foi a organização do espaço na educação infantil. Pude perceber o espaço como um educador auxiliar (Barbosa; Horn), rompendo com antigos conceitos do espaço como apenas atraente.
Nesta direção, aproveitar todos os espaços disponíveis na escola (internos e externos) foi valiosíssimo. Eu que antes ficava muito restrita à sala de aula e as rotinas pude modificar alguns conceitos. Por falar em rotinas, a leitura do livro de Barbosa durante este semestre (Por Amor e por Força: Rotinas na Educação Infantil) aliada às práticas e provocações da professora e tutora me permitiu ver esta rotina de uma forma mais madura. O conceito de rotina flexível, antes apenas no plano das idéias, nunca vivenciado em todo o seu sentido, finalmente foi vivo para mim, uma vez que durante o estágio me permiti modificar drasticamente algumas rotinas de minha turma para atender as necessidades das crianças. Esta experiência foi libertadora, pois uma vez vivenciado o conceito de rotina flexível, ele se tornou aprendizagem prática.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Reflexões Semestre 7

Muitas aprendizagens no semestre 7.
Iniciando pela EJA (que nunca tive experiência), pude refletir a respeito da alfabetização dos jovens e adultos e do "Método" de Paulo Freire, apoiada pelas aprendizagens de disciplinas anteriores quanto a construção da escrita, compreendendo que esta mesma construção significação dos textos deve ser proporcionada para os adultos. Além disso, repensar o que é significativo dentro de cada cultura, não colocando o academicismo acima da cultura popular (o que para mim sempre foi difícil de compreender)
As aprendizagens sobre Libras foram preciosíssimas e me abriram caminhos para uma construção mais sólida neste sentido. No semestre seguinte tive a oportunidade de trabalhar com uma pessoa surda e solificar as aprendizagens sobre cultura surda e da Libras como LÍNGUA, com regras próprias (e não um Português sinalizado como eu pensava antes da interdisciplina)
A disciplina de Didática (e percebo isto só agora nesta retomada) serviu de apoio para muitas das aprendizagens vivenciadas no estágio (em especial as idéias de Montessori e de Freinet)
Também a disciplina de Linguagem, apoiando-se no já aprendido em Literatura, veio a acrescentar quanto a questão do letramento, da importância do uso da linguagem literária além de me proporcionar pensar a importância da oralidade como forma de pensar (Segundo Vigotsky o pensamento se estrutura através da linguagem) e a possibilidade de produção textual na educação infantil.
Diante de tudo isto, passo a encarar com mais seriedade as propostas na educação infantil (não que eu não tivesse seriedade em meu trabalho, mas muitas vezes esta importancia é diminuída por uma infantilização excessiva das propostas educativas, por pura falta de compreensão das construções feitas nesta etapa)

Reflexões Semestre 6

No semestre 6, novas aprendizagens
A questão da inclusão foi de grande valia para mim. Como não tenho muita experiência com inclusão, aprendi muito e várias inseguranças foram se dissipando: quanto a legislação, quanto a história da educação especial (que é muito recente e por isto a prática está tão aquém do que prega o discurso pedagógico) e quanto a encaminhamentos práticos - em especial a questão do planejamento, que se bem administrado acaba por beneficiar a todos os alunos, já que cada um é diferente.
Na disciplina de psicologia, entre as retomadas de conhecimentos já adquiridos em outras etapas de minha trajetória pude aprofundar meu conhecimento a respeito do método clínico de Piaget e também fazer uma importante construção (casada com a disciplina de filosofia da educação) - a noção construção da moral pela criança.
Ainda em filosofia da educação pude refletir a respeito da questão da ética do professor com seus alunos. Como ´professora de idades tão distintas (bebês e adolescentes) esta é uma questão que me toca muito, pois vejo os adolescentes reproduzirem posicionamentos (tomados pelos professores como falta de respeito) que vivenciaram quando pequenos - e me policio muito (e a equipe que trabalha comigo com os bebês) neste sentido.
Por fim, a disciplina de questões etnico raciais me trouxe um crescimento quanto a valorização da cultura de outros povos - e o trabalho sério que o professor deve desenvolver em sala de aula para não passar uma visão "mitológica" destes para os alunos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Reflexões Semestre 5

No 5º semestre, estudando Psicologia da Vida Adulta pude compreender a aprendizagem e as mudanças não apenas na infância, mas durante toda a nossa vida. A teoria de Eriksson foi valiosa e pude compreender melhor a psicologia e a aprendizagem e ver que elas não se fazem só de Freud e Piaget.
Também durante este semestre o trabalho com P.A.'s continuou a estruturar-se em minhas aprendizagens. Inicialmente relacionei o P.A. diretamente com a pesquisa acadêmica. Como já havia feito uma graduação e, consequentemente, um trabalho de conclusão deste curso, vi no P.A. todos os elementos de uma pesquisa acadêmica: problema de pesquisa, certezas provisórias, duvidas temporárias, pesquisa e conclusões. Neste âmbito aprendi de novo o trabalho com mapas conceituais (que me foi muito valioso na estruturação de meu pensamento no TCC do PEAD).
Mas algo diferente estava sendo proposto: utilizar P.A.'s com alunos. Infelizmente, como sempre tive crianças muito pequenas durante o curso, não consegui aplicar estas idéias com alunos, mas confesso que foi muito provocativo. Provocativo porque diferente. Também aí iniciou-se uma construção de conhecimento que vi culminar mais adiante em minhas práticas de estágio: Formas diferentes de dar aula, superação do paradigma da trasmissão do conhecimento...
Também durante o 5º semestre de curso as várias disciplinas que abordavam a questão da escola como instituição (Escola, Cultura e Sociedade; Organização da Escola; Organização e Gestão da Educação; Projeto Pedagógico em Ação) me permitiram uma compreensão mais ampla de meu papel como professora. Passei a me enxergar não apenas como aquela que exerce suas funções exclusivamente na sala de aula, com alunos, com a parte "pedagógica", mas como elemento ativo na escola enquanto instituição. Professora que está a par do PPP, que ajuda a construí-lo, a repensá-lo, a fazê-lo funcionar, a tirá-lo do papel em sua prática docente. Professora que busca se interar da legislação, compreender por que as coisas são do jeito que são, e quando elas não funcionam o que se pode fazer para mudar... Enfim, tive um crescimento na compreensão de minha identidade docente.

domingo, 24 de outubro de 2010

Reflexões Semestre 4

No quarto semestre disciplinas das quais nunca fui muito próxima. Não são as minhas áreas favoritas (falando bem pessoalmente), mas sei da importância delas na aprendizagem - e tenho consciência de que se não gosto muito delas foi porque não consegui quando pequena estabelecer uma boa relação, compreendendo-as de forma significativa para mim. Enfim... Matemática, Estudos Sociais e Ciências:
A tônica deste semestre (e talvez justamente porque em mim esta questão foi mal resolvida) foi a VIVÊNCIA. O professor de ciências enfatizou: "Ciências é uma disciplina em que o aluno já possui conhecimentos oriundos de sua vivência". Temos que aproveitar estes conhecimentos já existentes! Pude desconstruir aquela noção (que penso que adquiri no curso de magistério nível médio) de que em ciências tem que trabalhar "experiências" (aquelas de misturar vinagre com bicarbonato de sódio, etc.) De que adianta misturar elementos se não compreendo a química na minha vida?
Em estudos Socias novamente - vivência: a leitura dos textos me permitiu entender a ordem dos conteúdos que aparecem nas grades curriculares desta disciplina (eu, família, escola, bairro, cidade...). O aluno precisa se compreender como indivíduo, como cidadão e depois ir ampliando o conhecimento a partir do que lhe é próximo - ou seja, logo depois de se perceber, a próxima instância de socialização é a família, depois a escola...
Matemática: Vivência. Como professora de crianças bem pequenas o que me foi significativo foi o que consigo trabalhar com meus alunos - classificação e seriação - na prática: na hora de guardar os brinquedos, ao descrever objetos, etc. No final do semestre anterior tinha participado da pesquisa do Tcc de minha diretora onde através de grupo focal discutimos a matemática na educação infantil. Já a partir dali fui compreendendo o quanto a matemática é prática. Na pracinha a criança aprende a medir o tempo que ela precisa para passar na frente de um balanço em movimento sem que se machuque, ao brincar aprende as coisas maiores e menores através de experimentação (coloca o brinquedo na caixa, experimenta se cabe ou não cabe, com o tempo apenas olhando ela irá saber...)
Enfim, vivência, vivência e vivência...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ainda analisando o 3º semestre...

Como ingressei na segunda "leva" do PEAD, meu primeiro semestre foi "diluído" nos demais. Analiso então outras construções do 3º semestre - que penso ter sido muito importanto pois é a partir dele que começo minhas postagens com mais conteúdo, explicitando os argumentos e evidências das aprendizagens.
É no 3º semestre que inicio minhas construções quanto a projetos de aprendizagem. Registro no blog duas postagens a este respeito no período onde percebo o início de uma mudança de pensamento e de uma construção: a possibilidade de aulas mais abertas à pesquisa e atuação direta dos alunos. A primeira postagem é sobre um projeto de Artes (onde começo a me dar conta de que as informações não devem ser "despejadas" mas que se pode dar a oportunidade para os próprios alunos buscarem. A segunda postagem já marca um redirecionamento ainda mais importante - aprendizagens sobre o uso das Arquiteturas Pedagógicas - onde começo a ter contato com idéia da descentralização do ensino da figura do professor.
Estas aprendizagens, aliadas às reflexões do mesmo período a respeito da forma de avaliação no PEAD (o blog, onde é o aluno que fala o que aprendeu) e sobre a educação à distância são o início de uma aprendizagem muito importante que vejo se consolidar, culminando no final do curso com meu estagio - possibilidades mais concretas de descentralização do ensino da figura do professor, alternativas ao problema da prática empirista da transmissão de conhecimento.
Fantástico poder analisar esta trajetória.

domingo, 19 de setembro de 2010

Conceitos - semestre 3

Dando continuidade à retrospectiva de minhas aprendizagens, dedico esta postagem a retomar alguns conceitos adquiridos durante o 3º sem do curso que realmente foram importantes para mim, modificando minha prática docente e forma de pensar.
Na disciplina de literatura infantil posso identificar vários redirecionamentos no meu pensamento. Sobretudo o que mais me marca é o registro sobre a qualidade dos textos. Após aquela riquíssima disciplina minhas contações de histórias para os bebês e crianças pequenas da escola infantil em que trabalho contemplam mais textos voltados à faixa etária e com leitura na íntegra. Antes eu apenas mostrava as figuras e "abreviava" a história, contando com minhas palavras ou comentando as figuras. Também faço isto ainda (até porque a quantidade de livros direcionados aos pequeninos não é muito grande), mas estou sempre em busca de histórias voltadas à faixa etária e consigo alternar as duas formas de contar, assegurando o contato não só com o livro/objeto, mas com a linguagem literária, que é completamente diferente da linguagem do dia-a-dia.
Também a disciplina de música marca a minha trajetória com redirecionamentos. Apesar de ter conhecimento anterior (pois havia cursado alguns semestres de música na UERGS) a disciplina do PEAD fez-nos refletir sobre a construção do "gosto musical" e do quanto a mídia influencia isto. Depois desta discussão, entendo a "falta de gosto" de que tanto nos queixamos (não quero parecer preconceituosa...) de outra forma. Empenhar-se em procurar outros gêneros, outras músicas, e à medida que as crianças conseguem ir fazendo uma escuta apreciativa, comentar sobre o que se ouve, é necessário para desenvolver o senso crítico, e não apenas "engolir" o que a mídia nos empurra. Não é simples, mas é nosso trabalho como professores contribuir com a educação musical de nossos alunos, tão esquecida na escola hoje.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Iniciando a retrospectiva...

Vai dar um trabalho danado, mas é muito interessante a proposta do Seminário Integrador para este semestre. Hoje me dediquei à leitura do material de meu primeiro semestre de curso (que na verdade é o semestre II, já que ingressei na segunda "leva" do PEAD). Tive que ir até o meu primeiro blog, antes do "peadportfólio" (pois o Portfólio de Aprendizagens foi introduzido somente no semestre 3) Em meu primeiro blog a primeira coisa que observei foi a diferença entre as postagens antigas e as atuais. Antes do trabalho do seminário integrador no 3º semestre sobre as postagens a respeito de APRENDIZAGENS, minhas postagens eram sobre assuntos gerais, coisas que me chamaram a atenção naquele período em que devia realizar as postagens, mas não sobre aprendizagens geradas pelas interdisciplinas. Para resgatar verdadeiramente estas aprendizagens precisaria retornar ao webfólio do Rooda e relembrar os trabalhos das interdisciplinas. Hoje, depois do trabalho com o blog/portfólio durante todo este tempo, consigo perceber a importância desta atividade que realizamos.
Lembro que no início do semestre 3, quando foi lançada a proposta do portfólio (e durante alguns semestres que se passaram, até que conseguisse compreender esta importância) eu achava muito chato ter que ficar "pensando o que eu aprendi". A exigência de uma postagem semanal soava como se tivesse que ficar "inventando" coisas aprendidas. Na verdade não existia um costume de pensar sobre as aprendizagens adquiridas. Em toda minha trajetória como estudante (no ensino fundamental, médio e em meu primeiro curso de graduação antes do PEAD) a sistemática era ler, resolver exercícios, fazer provas... O cérebro "deletava" as informações desnecessárias (ou "arquivava" as não usadas) mas nunca havia feito o exercício de pensar sobre o que determinado texto modificava em meu próprio pensamento, em minhas estruturas cognitivas. Vejo que neste sentido aprendi muito durante o curso. Aprendi uma nova forma de estudar e de aprender.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Relacionando aprendizagens

Hoje, durante um trabalho com meus alunos da 7ª série recordei-me de alguns conceitos vistos na disciplina de linguagem. Estava trabalhando com eles a a mitologia grega através de teatro - componente curricular da 7ª série em Campo Bom. Havia dividido eles em grupos e entregue textos da mitologia (para cada grupo uma história diferente) já tinha dado uma aula para ensaiar e outra para construir cenários e materiais que precisariam para apresentação e fazer as últimas combinações - hoje foi o dia da apresentação.
Filmei as apresentações. Durante a mesma pude constatar quanta dificuldade eles tem em dramatizar. Lembrando das leituras sobre os gêneros textuais pude compreender esta dificuldade deles como uma dificuldade em migrar da linguagem do texto escrito para a linguagem teatral. O texto tem sua riqueza de detalhes a fim de trazer para o campo da linguagem escrita aquilo que acontece no real, a fim de que lendo possamos imaginar. Assim, em um texto que é transformado em teatro, muitas dos detalhes perdem sua necessidade, já que devem ser REPRESENTADOS no real. A dificuldade dos alunos é justamente abandonar a riqueza de detalhes do texto e transformar em riqueza de detalhes na ação. Isto envolve não só uma compreensão da linguagem teatral, mas também uma compreensão da função da linguagem textual.
A partir daí, quero fazer um trabalho em conjunto com a professora de Língua Portuguesa. Pensei que poderia realizar o processo contrário para ajudá-los a compreender isto: filmar pequenas situações cotidianas deles e fazer com que transformem em pequenos trechos escritos, com riqueza de detalhes, a fim de compreenderem que o texto deve ser rico em função da ausência da ação (o texto deve fazer-nos recriar a ação em pensamento, sem te-la visto), e o teatro deve ser rico em ação (o teatro feito a partir de um texto não deve ser feito essencialmente de narração).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

TCC?

Prossigo com minhas leituras. Tenho descoberto um novo mundo ao pensar a organização dos espaços na educação infantil e lamento estar vendo sobre isto apenas no final do curso - que foi bem mais direcionado para o ensino fundamental.
Depois de todos os avanços e mudanças no espaço de minha sala, as leituras novamente me provocaram a repensar o que - até então - parecia que estava tão perfeito... Apesar de oferecer inúmeros desafios aos bebês, Horn alerta para as idéias focaultianas sobre o espaço da escola a respeito do Panoptico de Benthan
"Penso que a organização do espaço físico em cantos, em zonas semi-abertas, possa constituir-se para alguns educadores como uma forma de controle através de arranjos espaciais, pois o professor observa e controla todas as ações das crianças sem ser o centro da prática pedagógica. O que quero dizer é que o simples fato de organizar a sala de aula dessa forma não garante uma atuação descentralizada por parte do adulto e, consequentemente, a construção da autonomia pela criança." (HORN, 2004, p.25)

Pude olhar a minha sala de uma forma diferente a partir da leitura e voltar a repensar a organização do meu espaço, esbarrando novamente na construção da da autonomia (já pensada - mas não resolvida - quanto ao uso dos brinquedos no berçário, ficando ao alcance das crianças)

Paira a preocupação de garantir um espaço seguro às crianças, propiciando a construção desta autonomia - questão ainda sem resposta para mim.

Sinto-me desafiada a estudar mais sobre o assunto. Seria o ponto de partida para meu TCC?

REFERÊNCIAS:

HORN, Maria da Graça Souza. Sabores, cores, sons, aromas: a organização dos espaços na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

sábado, 29 de maio de 2010

Educação como um todo

Esta semana foi de muitas leituras e, consequentemente de reflexões. Semana passada fui a um aniversário de uma colega do meu marido e a conversa que tivemos lá vem me "incomodando" desde então. Conversávamos em um grupo bastante heterogêneo: eu professora, meu marido - que trabalha em uma fábrica e está iniciando um curso de licenciatura, o irmão da aniversariante que cursa administração e outros três colegas de trabalho de meu marido - duas mulheres e um homem - que trabalham em fábrica de calçado e tem o ensino fundamental completo.
Começaram a falar sobre política. Fiquei chocada com a noção de política que as pessoas que não tem tanto estudo possuem. "eu não vou votar no fulano porque quando eu precisei dele ele não me ajudou. Eu precisava de creche pra minha filha e ele não me deu". - foi a fala de uma delas. O outro, falava sobre a quantidade de imposto que se paga aqui no Brasil, comentando que trazia coisas do Paraguai por encomenda. "Tem que diminuir o imposto. A gente paga muito imposto. Como é que em outros países não se paga tanto?". Comentei que na verdade o problema maior não é o imposto que pagamos, mas não termos retorno deste imposto, falando que em países mais desenvolvidos paga-se bastante imposto mas tem-se um sistema de saúde público bom, a educação é boa... O estudante de administração manifestou-se com a mesma opinião, perguntando como era o Paraguai. O outro então respondeu "aquilo é uma porquice. Lá é tudo sujo", mas completou dizendo "mas tem que cortar o imposto daqui".
Mais um pouco e o estudante de administração nos deu uma lição sobre juros, inflação, lei da oferta e da procura, falando sobre a expansão da classe baixa e quanto esta classe tem gastado, prejudicando a economia do país (muita procura - mais inflação) e do quanto , apesar da classe mais baixa estar ganhando um pouco mais, ainda se gasta mais do que se ganha.
Fiquei pensando o quanto as pessoas não compreendem que a forma como se gasta o dinheiro não é apenas um problema individual, mas coletivo. E o quanto as pessoas ainda não tem noção de que a politica não é para defender interesses individuais, mas coletivos (o critério de voto ser conseguir ou não a vaga na creche...).
Passei então a refletir sobre a educação política do nosso país. Nas escolas nao ensinamos como lidar com dinheiro, como funciona a economia, o que é política... Muitos dos nossos alunos não chegam nem a cursar o ensino médio, que dirá uma faculdade. Onde eles aprenderão sobre estas coisas? A política, aliás, deveria ser ensinada desde a educação infantil, já que não se aprende política falando sobre ela, mas vivenciando relações de justiça, de pensamento no bem estar coletivo, de discussão sobre as decisões que envolvem o grupo, etc.
Reproduzimos o que vivenciamos, e não tenho visto na escola experiências que propiciem uma educação política adequada. Ao contrário, temos imposto as coisas a nossos alunos. De que forma modificar a política em um país se não educamos para isto. Com todas estas questões tenho repensado minhas práticas na escola fundamental (pensando o que posso fazer com meus alunos), e quero levar a discussão para a escola infantil (como atuo com berçário, em minha turma especificamente não há muito o que fazer - estou iniciando um trabalho de utilização autônoma dos materiais, mas é isso...), mas penso que os discursos dos adultos envolvidos na educação devem passar por uma peneira, tendo estas questões em mente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Portfólio de Aprendizagens

Acho que finalmente consegui compreender a importância do portfólio de aprendizagens (no final do curso... que vergonha!). Dia destes, enquanto dirigia, estava pensando em uma das aprendizagens que registrei em meu portfólio (sobre o trabalho a experiência sensorial com os cheiros) e sobre o quanto aquilo havia sido significativo para mim. Comecei a refletir sobre meu estágio, sobre o conhecimento que eu possuia sobre a faixa etária com a qual trabalho, e me questionava: "em que momento aprendi isto?", pois há concepções que parece que temos desde sempre, mas na verdade não foi sempre assim... Me lembrei da percepção que tive sobre a pós graduação em Psicopedagogia Institucional que fiz, que considerei como fraca (talvez preconceito por ser à distância, mas um à distância bem diferente do PEAD - eram videoaulas), e e lembro de comentar com minhas colegas, depois da prova final do curso, que os conhecimentos que eu tinha adquirido não foram no curso de Psico, pois enquanto eu fazia a prova me lembrava de coisas que tinha aprendido no curso da Feevale, na UFRGS, na UERGS... Hoje, refletindo sobre isto, consigo entender que, como sempre estudei várias coisas ao mesmo tempo (desde o tempo do Magistério - fazia Magistério e tecnico em Música, depois fiz Artes na Feevale e Música na UERGS ao mesmo tempo. Quando terminei o curso de Artes iniciei a Pedagogia enquanto ainda fazia Licenciatura em Música, daí tranquei a Música e fiz Psicopedagogia e Pedagogia concomitantemente...), não havia como separar - isto aprendi na Feevale, isto aprendi na UFRGS, isto na UERGS... as aprendizagens se fazem das reflexões provocadas pelo nosso entorno. Não posso dizer que não aprendi muita coisa no curso de Psicopedagogia, apenas não me lembro quais foram as aprendizagens daquele período, mas elas hoje fazem parte da profissional que sou e de tudo o que penso sobre a educação. O Portfólio de aprendizagens ajuda a situar nossa caminhada enquanto estudantes. Ao lê-lo nos damos conta de como pensávamos e como passamos a pensar.
Esta semana, em visita a casa da minha mãe, encontrei uns cadernos velhos do Magistério (didática da linguagem), e fiquei fascinada ao poder mergulhar, lendo o que havia escrevido, no meu crescimento. Foi impressionante ver a adolescente aspirante a professora que fui - com minhas concepções pedagógicas pouco aprofundadas - e comparar com a profissional que hoje sou. Lamentei não ter aprendizagens registradas em meu portfólio a respeito de todas as disciplinas do PEAD.

EM CONSTRUÇÃO

terça-feira, 18 de maio de 2010

Estágio, registros, reflexões...

Estou encantada com meu estágio. Por mais que habitualmente, enquanto professora, o planejamento e a reflexão seja uma prática já conhecida, fotografar as atividades tem sido uma experiência e tanto. A memória é algo que funciona muito melhor se encontrar pontos de apoio. Olhar as fotografias tiradas durante a semana facilita e enriquece a reflexão do trabalho realizado. Só que isto não acontece com qualquer foto. Como a maioria das fotos é tirada por mim (só peço ajuda das auxiliares quando tirar a foto atrapalha minhas intervenções), procuro clicar as descobertas, não são simples fotos, são momentos únicos. A partir desta prática pode-se inclusive pensar em um portfólio de aprendizagens para as crianças do berçário (que em minha opinião não encontra muito sentido em "trabalhinhos", já que nesta fase a descoberta não está no que fica no papel, mas na ação). Clicar o momento exato de uma descoberta não tem preço.
No caso desta reflexão, imagens valem mais do que mil palavras...

L* Analisando a fotografia impressa de uma criança. Descobrindo que imagens de pessoas podem estar no papel, e não apenas na realidade.





















L* Analisando as propriedades do material: mole, morno, grudento...















L* Testando as propriedades elásticas do material (o bambolê com as tiras de celofane, preso ao teto por um elástico grosso foi puxado por ela até chegar a sua boca) o sabor e a dureza do que analisava

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Práticas de letramento

Provocada pela atividade de recuperação da disciplina de Linguagem e Educação, me dei conta de que, apesar de meus alunos estarem sensíveis à propostas de letramento mesmo com sua pouca idade, tenho me concentrado em outras àreas em meu estágio (também importantes) e deixado as práticas de letramento um pouco de lado. A atividade serviu-me de alerta para repensar esta questão, redirecionando em alguns aspectos meu planejamento.

Novos cheiros... mais baratos e com mais funções

Esta semana fiz uma atividade de experiência sensorial intensa. Os alunos lambuzaram-se bastante explorando o material (potes com papas de água e amido de milho e diferentes essências). Comprei corantes e essências comestiveis para colocar na papa, mas a vendedora tinha me dito que a essência era apenas para dar gosto (por isto não tinha comprado para a atividade anterior). Entretanto, quando coloquei na papa, o cheiro apareceu... Uma outra opção mais barata ao óleo essencial, com o bônus de poder ir à boca e ter gosto caracteristico.

sábado, 1 de maio de 2010

Exploração dos materiais

Durante esta semana trabalhei com os móbiles interativos. De segunda a quinta coloquei coisas diferentes, cada dia era uma novidade e a exploração dos materiais foi intensa. Na sexta-feira coloquei alguns exemplares de tudo que foi oferecido durante a semana e apesar de acontecer, a interação com os materiais foi bem menos ativa, afinal que tudo que estava ali não era mais novidade.

Com meus três anos de Maternal 1 tinha perdido a empolgação de confeccionar materiais pois o que eu oferecia era explorado de forma tão intensa que eles estragavam nos primeiros minutos. Minha experiência no M1 já tinha me proporcionado o aprendizado de que não adiantava pedir para cuidarem para não estragar, ou limitar a forma de brincar, tinham que explorar (às vezes via as tias com uma preocupação em não estragar o material...). Já havia me conformado de que estragar fazia parte, mas nunca havia vivenciado a experiencia do após a exploração com o material ainda inteiro.

Desta forma, antes da experiência desta semana não tinha me passado pela cabeça deixar um móbile destes fixo na sala por achar que ele logo estragaria, ou sairia briga, ou os bebês não iam sair de perto. Pude ver que isto só ocorre na exploração inicial... Da mesma forma, as crianças do M1 também cessariam sua curiosidade inicial (se os brinquedos oferecidos tivessem a resistência necessária).

Como coloquei no meu wiki, quando fizer os recantos em minha sala quero colocar um ou dois destes móbiles em um canto da sala, a fim de proporcionar mais uma opção de espaço para brincar às crianças que passam tantas horas em um mesmo lugar (em um canto, sem perder de vista o que falei sobre a poluição visual)

Poluição Visual

Achei riquíssima a experiência com os bebês dos móbiles interativos, mas assim como o colocação dos móbiles por toda a sala causou uma modificação temporária prazeirosa, a retirada dos móbiles após cessar o interesse também foi importante. Adoro ouvir música na sala e tenho o cuidado de variar bastante o repertório, mas trabalho com minhas auxiliares algo que aprendi no curso de música: só existe música onde existe silêncio. No meio de barulho, música é só mais um ruído. Assim, cuido para que, quando está tudo muito tumultado, choros, irritação, ou mesmo muita conversa das auxiliares, desligo o som. Quando desligo vem aquela sensação de alívio.
Esta mesma sensação pude perceber ao retirar os móbiles. O trabalho com eles foi maravilhoso, mas, chegada a hora do almoço, as crianças já estavam cansadas, irritadiças, e o interesse pelos móbiles já havia cessado. A modificação do espaço novamente, causou uma sensação de "limpeza do ambiente", trazendo novamente a calmaria. Achei interessante pois na hora relacionei com a "poluição sonora" que tanto falo para minhas auxiliares.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Experiências sensoriais

Depois de olhar meu planejamento da terceira semana de estágio, onde inclui a exploração da visão e da audição com os bebês, a professora Gládis me sugeriu explorar também o olfato, muito esquecido na Educação Infantil. Sugeriu que eu pingasse essências nos objetos a serem explorados pelos bebês. Confesso que ao receber a sugestão resolvi incluí-la no planejamento mais para satisfazer a vontade de minha supervisora de estágio do que por empolgação própria, ou entendimento da importância deste trabalho. Hoje quando fui comprar as essências, ao cheirá-las, tudo mudou.
Depois de ir a alguns lugares sem encontrar, fui a uma farmácia de manipulação e a vendedora me ofereceu algumas opções. Primeiro me mostrou uns sachês (que originalmente serviriam para perfumar guarda-roupas, gavetas e coisas do gênero). Achei os cheiros muito parecidos (dava pra sentir a diferença entre um e outro, mas eles não contrastavam). "Olhei" (na verdade cheirei) os óleos essenciais (servem para ser aquecidos com água em aparelho próprio e perfumar o ambiente, mas posso pingar gotas do óleo em brinquedos que o absorvam. Cheirei um a um e fiquei fascinada com os cheiros diferentes (estes sim contrastavam). Tinha vontade de cheirar tudo de novo... Alguns cheiros traziam lembranças de coisas, de épocas, enfim, é uma experiência que é dificil explicar com palavras, foi muito sensorial. A partir daí percebi a importância de proporcionar esta experiência aos meus bebês (fiquei realmente com vontade de dividir este "prazer" com eles)afinal também construimos conhecimento sobre os cheiros...
Depois disso vou inclusive adotar este trabalho como prática. Comprei quatro essências (não eram muito baratas)e quero ir comprando mais aos poucos(talvez uma a cada mês...)para proporcionar variedade de cheiros a serem explorados. Surgiram muitas idéias...